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Computação em Nuvem (Parte 1)


Muito se tem escrito sobre o tema computação em nuvem, do termo em inglês cloud computing, mas ainda pairam muitas dúvidas sobre o conceito e como isso afetará – e já está afetando – as pessoas e as organizações. Por esta razão, resolvi escrever um artigo sobre o tema procurando “conectá-lo” com exemplos práticos, desde os mais simples, de ordem pessoal, até os mais complexos, usados por organizações, sempre à partir da perspectiva do usuário e não do provedor do serviço. Com o conjunto de exemplos, acredito que ficará mais fácil assimilar o conceito.

Computação em nuvem pode ser definida como o uso de recursos de computação escaláveis, fornecidos como um serviço fora do seu ambiente, no esquema de pagamento de acordo com o uso. Você usa só o que necessita e paga somente pelo que usar, seja por tráfego, número de transações ou volume de armazenamento dos dados, por exemplo. É possível acessar qualquer um dos recursos presentes na "nuvem" a qualquer momento e de qualquer lugar, desde que se tenha uma conexão com a Internet. A maioria destes serviços são disponibilizados de forma que não seja necessário se preocupar com a maneira pela qual as coisas serão mantidas nos bastidores da nuvem. Em outras palavras, quando se utiliza o serviço da nuvem, quem “trabalha” no processamento dos dados são os softwares e hardwares da rede em questão e não o computador do usuário, que necessita apenas de um navegador ou de aplicativos que trabalhem como clientes.

Na verdade, quase todo mundo já usa computação em nuvem sem perceber. Quando qualquer pessoa acessa a caixa postal do seu correio eletrônico GMail ou Hotmail, por exemplo, as informações não estão armazenadas no seu computador pessoal, mas em servidores instalados em datacenters da Google ou da Microsoft, que podem estar operando, fracionado, em diversos países do mundo. Da mesma forma, ao criar um perfil no Facebook, você escolhe por permitir que suas informações sejam hospedadas em servidores de terceiros. Isso é a essência da computação em nuvem.

Na esteira da cloud, ou juntamente com ela, surgiram muitos termos como Software as a Service - SaaS e os outros XaaS (Infrastructure as a Service - IaaS, Platform as a Service - PaaS, etc...), todos implementações diferentes da mesma ideia, qual seja, um conjunto de serviços de computação disponível online que pode expandir ou contrair de acordo com as necessidades.

Afinal de contas, a computação em nuvem é um modismo, como tantas outras que já passaram pelo mundo da TI, ou uma realidade que veio para ficar? Na Expo Cloud, ocorrida no início de junho em Nova York, foi realizada uma pesquisa junto aos executivos de TI atuantes em diversos segmentos da economia, onde afirmaram que vêem a cloud como uma tendência de longo prazo mas que já estavam dando os primeiros passos nesta direção em suas organizações. Na mesma pesquisa expuseram também que existem algumas barreiras em sua implementação no mundo corporativo, principalmente: segurança dos dados; problemas com o potencial de conformidade e governança; recuperação de desastre.

Gigantes do mercado oferecem serviços na nuvem, entre eles Microsoft, Google, IBM, Amazon, Citrix, Salesforce e, recentemente a Apple, apenas para citar alguns. Então vamos expor resumidamente alguns serviços que estes fornecedores disponibilizam, como são implementados e como são cobrados, a fim de entender melhor esta nova realidade.

Na primeira parte deste artigo vamos apresentar alguns exemplos de uso no âmbito pessoal, e na segunda parte falaremos sobre como a cloud está sendo usada pelas organizações.

Comecemos pela “novata” nesta seara. A Apple acaba de entrar com força na nuvem com o seu novo serviço denominado iCloud.  Segundo a própria companhia, “o iCloud armazena músicas, fotos, apps, calendários, documentos e muito mais. E, sem fios, envia e disponibiliza tudo por tecnologia push para todos os seus dispositivos. O iCloud é muito mais do que apenas um disco rígido na nuvem. É a forma mais tranquila de acessar praticamente tudo o que há armazenado em todos os seus dispositivos de forma que o seu conteúdo esteja sempre acessível a partir do seu iPad, iPhone, iPod touch ou Mac”. Até 5Gb de espaço o serviço é gratuito. Acima deste patamar o usuário paga uma tarifa de forma progressiva de acordo com o espaço que necessita.

O Blog do iPhone preparou um vídeo simples que ilustra muito bem o serviço. Contextualizando, o iWork é o conjunto de três aplicativos da Apple, similares ao Microsoft Word, Excel e PowerPoint. A nova integração com a nuvem possibilita que todos os documentos que você cria ou altera sejam jogados imediatamente na nuvem e, consequentemente, para todos os dispositivos que estão sincronizados com ele, podendo ser um iPad, iMac, iPhone, MacBook, etc... O vídeo mostra a alteração de um documento no iPad e como ele é atualizado automaticamente no iPhone, via internet.


É importante observar que uma característica preponderante da nuvem é que os usuários do serviço não se preocupam sobre como os dados ficam armazenados, em quais sistemas operacionais estão rodando ou qual a estrutura de datacenter que está suportando o serviço. Ele simplesmente consome, usa. É mais ou menos a concretização do que o prof. Silvio Meira da Universidade Federal de Pernambuco e cientista-chefe do C.E.S.A.R (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife) denominou em 2006 de "informaticidade", da junção dos termos informática e eletricidade, onde previu que "num futuro próximo o uso da informática será tão simples quanto o da eletricidade de hoje".

O Google vem apostando na nuvem faz tempo, por exemplo, disponibilizando aplicativos que rodam diretamente no navegador. Dentre os mais famosos serviços deles podemos citar o Google Apps, que é disponibilização de diversas aplicações para uso online, como: Gmail, Agenda, Talk, Docs (compõe-se de um processador de texto, um editor de apresentações, um editor de planilhas e um editor de formulários) e Sites. Além das aplicações, os documentos gerados também podem ser armazenados na nuvem. Todos estes serviços são gratuitos para uso individual, até um certo volume. Para o uso corporativo existe o Google Apps for Business, que é pago.

Um grande marco no desenvolvimento da cloud computing é a chegada do novo sistema operacional do gigante da busca, o Chorme OS, que é inteiramente baseado na nuvem. Utilizando este novo tipo de SO, o usuário terá uma experiência totalmente diferente, já que salvar e guardar arquivos e documentos em seu “disco rígido” será coisa do passado - afirmam os executivos do Google - e tudo será salvo remotamente, ou seja, na nuvem.

Já a Microsoft, que segundo os analistas foi "empurrada para a nuvem" pelo Google em função do sucesso do seu Apps, disponibilizou recentemente um Office "simplificado" que está disponível na nuvem por meio dos WebApps do Word, Excel e PowerPoint. Os documentos criados e editados neles ficam armazenados no disco virtual SkyDrive e podem ser compartilhados com outros usuários ou mesmo baixados. Este serviço é gratuito até 25Gb de espaço ocupado e está disponível no Windows Live, que abriga também o Hotmail e o Messenger. Assim, as aplicações e os documentos estão sempre disponíveis a partir de computadores, celulares ou qualquer outro dispositivo conectado a internet.

Outro passo importante da Microsoft em sua estratégia para os cloud services foi dado na semana passada com o lançamento do Office 365 em 38 países, especialmente para rodar na nuvem e com todos os recursos da versão desktop. O Office 365 ainda não está disponível em português brasileiro mas, segundo a companhia, a versão deve chegar na 'segunda onda' de lançamentos, sem data definida. O pacote inclui todos os softwares já conhecidos do Office como Word, Excel, PowerPoint e Outlook. A grande novidade é que agora o pacote Office pode ser acessado integralmente a partir de qualquer dispositivo conectado à internet, inclusive os da rival Apple, ou que rodem Android, do Google. O foco é no uso pelas empresas mas estima-se que logo estará disponível para uso pessoal, razão pela qual citei o serviço aqui.

Discos virtuais? Programas que não estão no seu desktop ou notebook? Sistema operacional virtual? É claro que começar a usar os computadores desta nova forma pode ser um pouco complicado para quem está acostumado com pastas, diretórios, arquivos e documentos, e certamente algumas atividades ainda necessitarão de sistemas operacionais convencionais. Entretanto, em um mundo cada vez mais móvel e com a internet cada vez mais ao alcance de todos e em todos os lugares, a nuvem acaba se tornando um meio muito interessante de trabalho e acesso a informações.

Computadores, netbooks, smartphones e tablets; a cloud computing está pronta para seja qual for a plataforma, o que permite uma mobilidade sem precedentes para os usuários que, caso desejem, não mais precisarão carregar pen drives e discos de armazenamento, podendo acessar suas informações de qualquer lugar, a qualquer hora, desde que haja uma conexão à internet e uma plataforma de acesso. É claro que problemas ainda existirão, principalmente no que diz respeito à confiança, segurança e estabilidade das conexões à internet, mas ...

Na segunda e última parte deste artigo nós focaremos nos exemplos de serviços disponíveis em nuvem para uso das organizações.