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Tendências para os ERPs

Poucos sistemas são tão eficientes para a gestão empresarial do que o ERP (do inglês Enterprise Resource Planning). Ele é o "coração" das empresas, integrando todos os seus processos operacionais e gerenciais, tendo atingido um excelente grau de maturidade. Entretanto, diante das rápidas mudanças que estamos vivendo no mundo dos negócios e do surgimento de inúmeras tecnologias empresariais, algumas delas já apresentadas neste blog, veremos evoluções impactantes nestes tradicionais sistemas.

Neste post abordaremos seis destas principais tendências em relação aos sistemas ERP, parte delas já anunciadas pelos fabricantes, outras coletadas junto aos institutos de pesquisa especializados em TI e outras ainda compiladas à partir de minha experiência e observação dos nossos clientes e parceiros.

1) A primeira tendência relevante é a oferta dos sistemas hospedados em cloud, mais especificamente na abordagem denominada de Software as a Service - SaaS. Em linhas gerais, o cliente não tem que se preocupar com a infra-estrutura necessária para "rodar" o sistema. Servidores, banco de dados e demais recursos necessários ao seu funcionamento são providos pelo fornecedor da solução. Os fornecedores tradicionais já estão se posicionando para oferecer seus produtos na nuvem. Este modelo ainda encontra muitas barreiras, seja por aspectos culturais, seja por questões de segurança. Certamente teremos empresas que utilizarão seus sistemas na nuvem, fazendo com que aproveitem o menor custo de uma infra-estrutura escalável, assim como teremos também aquelas que simplesmente irão preferir manter tudo trancado em casa.

É importante observar que o modelo SaaS não trata só a forma de instalação e uso dos sistemas mas também a maneira pela qual o serviço é contratado. O modelo tradicional de aquisição de licenças dá lugar ao pagamento de um valor mensal que cobrirá além das licenças, a disponibilização de novas versões, manutenção corretiva, atendimento e infra-estrutura, compatível com um acordo de nível de serviços (SLA, do termo em inglês). Más é preciso ter muito cuidado pois, segundo o especialista em licenciamento do IDC, Amy Konary, "existirão muitas opções de contratação, mais confusão, mais armadilhas. Isso traz um novo papel para os líderes: observar os aspectos financeiros de cada opção, assim como SLAs e as letras miúdas de contratos", afirma.

2) Já falamos aqui sobre mobilidade empresarial. Podemos esperar que gradativamente muitas funcionalidades dos ERPs irão parar nos dispositivos móveis. Este é um caminho irreversível. A questão aqui está mais ligada à velocidade na qual isso vai acontecer e à tecnologia, onde podemos observar duas fortes tendências: as dos native apps, que são aplicativos disponibilizados pelos fabricantes e podem ser baixados à partir da iTunes Store, Android Market, etc..., sendo estes instalados diretamente no dispositivo móvel; e a dos web apps que rodam nos prórpios servidores do ERP e são acessados à partir dos navegadores nos dispositivos. Este tema por si só é extenso e será objeto de nossos próximos posts aqui no blog.

3) Fornecedores já estão trabalhando para que o ERP fique mais amigável. A experiência de usuário (user experience - UX) com os dispositivos da Apple, com interfaces do Facebook e LinkedIn, e tantos outros aplicativos que proporcionam leveza e facilidade de uso, contrapõe com as interfaces carregadas e complexas dos ERPs. Este é um grande desafio para os fabricantes porque as operações suportadas por estes sistemas são bastante complexas, na maioria dos casos, mas a pressão dos usuários por mudanças neste sentido fará com que as próximas gerações dos ERPs sejam bem melhores em termos de usabilidade.

4) Oferta de ERPs integrados ao Business Intelligence e ao Analytics também estão na mira dos fabricantes, que tentarão aproximar suas ferramentas aos conceitos dessas soluções. A previsão do Gartner é que as empresas encontrarão mais valor real nos ERPs que integrem funcionalidades analíticas.

5) Os ERPs se integrarão às redes sociais corporativas. Para empresas de todos os tipos, esta é uma evolução bem-vinda, diz o analista Kevin Prouty, do Aberdeen Group. O maior benefício é que, através das ferramentas de mídia social, os dados do ERP podem ser ordenados e guardados como dados estruturados sobre os clientes, para análise. Se uma empresa usa plataformas independentes de mídia social, como o Facebook, Twitter e LinkedIn, a informação não pode ser facilmente coletada e utilizada, no futuro. "Sim, as empresas podem se comunicar com seus clientes hoje usando o Facebook ou outras plataformas de mídia social. Mas se você perguntar como elas pensam em usar as informações obtidas ali, perceberá que não fazem muita idéia", afirma. Este é um dos pontos sobre os quais os fornecedores de ERP estão trabalhando. Querem preencher as lacunas de coleta e tratamento de dados não estruturados para facilitar as interações das empresas com seus clientes e, assim, ajudá-las a crescer, diz ele.

Outro aspecto não menos importante é o da usabilidade. Disponibilizar funções ou recursos do ERP dentro das redes sociais corporativas, utilizadas como portais, pode simplificar - e muito - a vida do usuário, tendo em um único ambiente tudo do que precisa para a sua atividade diária. Esse é um mashup útil, já demandado por muitas empresas hoje em dia porque elas estão começando a ver o valor destas interações.

A tarefa será facilitada, já que a próxima geração de trabalhadores que estarão usando aplicativos ERP já terão profunda experiência de uso de mídias sociais, porque eles já estão usando plataformas como o Facebook e o Twitter em suas vidas pessoais. "Assim, as empresas precisam ter as ferramentas certas, no lugar certo, para que esses novos trabalhadores sejam capaz de usá-las", o que tem pressionado os fornecedores de ERP a desenvolverem e integrarem os recursos necessários, afirma o Gartner. De uma forma geral os principais fabricantes de ERP sabem que precisam ter algum tipo de capacidade de mídia social adicionada ao produto. As primeiras gerações de aplicativos de ERP que incluem links para ferramentas de mídia social estão chegando. Mas, na opinião de muitos analistas de mercado, o melhor ainda está por vir, pois a próxima geração, disponível provavelmente em um ano, vai ser totalmente integrada às capacidades de mídia social.

Ainda nesse sentido, muitos fornecedores estão optando por incorporar recursos de busca global para ajudá-los na catalogação de dados, integrado informações textuais com as estruturadas, típicas dos ERPs. A busca global permite que você digite alguma informação sobre o cliente e tenha acesso às transações relacionadas a ele, além dos dados textuais, tudo de acordo com os níveis de segurança para o acesso. Será possível associar todas essas comunicações não estruturadas com seus respectivos atores (clientes, fornecedores, colaboradores, etc...), com a capacidade de inserir tags para tornar as informações facilmente recuperáveis.

Este tipo de integração de mídia social com sistemas ERP também pode pavimentar o caminho para integração com outras aplicações corporativas, como o CRM e o BI. Esse é o caminho natural.

6) Uma última tendência comentada aqui já pode ser observada no mercado, mas ganhará muita força nos próximos anos. Trata-se da completa integração do BPM (Business Process Modeling) com as funções e atividades do ERP. Neste conceito, ao invés dos usuários trabalharem acessando as diversas funções na forma tradicional, ou seja, à partir dos menus ou botões de acesso, eles passam a trabalhar por caixa de atividades, onde ficam listados em follow up todas as operações que eles precisam executar, tais como: autorizações, pagamentos, etc... Isso não é novidade, mas muitos ERPs estão sofrendo modificações radicais para possibilitar a adoção cada vez mais forte desta abordagem. Não só por isso - mas também por isso, a arquitetura SOA (Service-Oriented Architecture) será cada vez mais adotada pelos fabricantes de ERPs.